
Quatro homens suspeitos de cometer uma série de furtos a residências no bairro Novo Guarujá, em Betim, foram presos em Ribeirão das Neves, na região metropolitana, na última quarta-feira (22/7).
De acordo com a Polícia Militar, eles integram uma quadrilha especializada nesse tipo de crime, com atuação em toda a região. Segundo a corporação, o principal indício de relação entre os crimes são placas veiculares que foram apreendidas e batem com as dos veículos usados para cometer os furtos no Novo Guarujá. Os policiais chegaram até eles por meio de denúncia anônima.
“Recebi a notícia com um sentimento de alívio e de esperança de que a justiça seja feita. O que minha família viveu foi muito difícil, não apenas pela perda material, mas principalmente pela sensação de violação da segurança dentro da nossa própria casa”, relatou um morador do bairro que teve sua casa invadida e preferiu não ter o nome revelado.
No dia do furto, o homem estava em um compromisso externo com a família. Quem percebeu a movimentação atípica na residência foi uma vizinha, que viu que o portão da garagem estava aberto e ligou para o morador. Ele então acessou as câmeras pelo celular e viu que havia dois homens dentro de sua casa. Segundo a vítima, enquanto retornava para sua residência, a vizinha acionou a Polícia Militar.
Quando chegou em sua casa, se deparou com um cenário de muitas perdas. Os ladrões levaram joias, relógios, uma TV de 65 polegadas, bolsas de grife, computador, uma quantia em dinheiro, um aparelho celular, Peças de roupas de marca, entre outros itens.
“Espero que as investigações tenham continuidade e que, caso seja comprovado o envolvimento dos suspeitos, eles respondam pelos crimes na forma da lei”, disse ele, que mora na residência com a esposa e os dois filhos.
Outro morador do Novo Guarujá, que também pediu para não ser identificado, relatou que chegou a ser abordado pelos suspeitos, mas conseguiu evitar que eles consumassem o furto.
“Cheguei em casa, abri o portão, e eles estavam lá. Vi nas câmeras depois que eles tinham entrado havia 40 segundos. Quando me viram, tentaram me abordar pra eu descer do carro, mas dei uma ré, e eles fugiram na sequência”, contou. Ele vive no Novo Guarujá há cerca de três anos com a família e relata que a ideia que tinha, até então, era de que o bairro era tranquilo. Felizmente, ele não teve a casa furtada. Porém, o susto de ter seu espaço invadido deixou uma insegurança.
Além desses casos, os moradores relatam ao menos mais duas invasões nas últimas semanas, com o mesmo modus operandi dos suspeitos: se aproveitando da ausência dos proprietários para entrar e furtar.
Os moradores do Novo Guarujá participam da Rede de Vizinhos Protegidos, iniciativa da Polícia Militar por meio da qual trocam informações sobre situações que afetam a segurança do local. Na época dos crimes, conforme relata um dos administradores do grupo, os moradores “ficaram em polvorosa”, com muita revolta e, ao mesmo tempo, medo. Porém, a notícia de que os suspeitos foram presos nesta semana foi recebida com alívio.
“A prisão da quadrilha, ou de parte dela, nos trouxe certa tranquilidade por sabermos que esses homens estão impedidos de cometer mais crimes e vão responder perante os órgãos judiciais”, disse outro morador, que pediu anonimato. Segundo ele, no dia 14, uma reunião entre os moradores e a Polícia Militar debateu o aumento de furtos no bairro.
A reportagem pediu um posicionamento da Polícia Civil para saber se a instituição investiga a série de furtos, mas não obteve um retorno.
A prisão foi feita pelo Batalhão de Choque, de Belo Horizonte. Os militares iniciaram a movimentação tática após denúncia anônima que apontava que um grupo especializado em furtos a residências escondia os veículos usados nos crimes em uma garagem no Aglomerado da Serra, na capital. A denúncia ainda apontava que eles estavam a caminho de Sete Lagoas para realizar mais um furto.
O veículo com as características semelhantes às repassadas na denúncia foi visualizado na BR-040, na altura de Ribeirão das Neves. Os PMs deram ordem de parada e o motorista tentou evadir, mas foi obrigado a frear por conta do congestionamento.
Durante as buscas no automóvel foram encontrados objetos furtados em uma casa em Sete Lagoas, além de ferramentas utilizadas para realizar arrombamentos.
Os militares então se dirigiram até a garagem no Aglomerado da Serra e encontraram um Virtus com a parte traseira encostada na parede, numa suposta intenção de impedir a abertura do porta-malas.
Os policiais ordenaram que o veículo fosse movido e, no porta-malas, encontraram uma pistola Glock. 40, carregadores, munições de diversos calibres, uma barra de cocaína e um par de placas de identificação veicular de um Creta branco usada em furtos em Ouro Branco e em Pará de Minas.
Enquanto os militares realizavam as buscas no local, eles receberam outra denúncia anônima de que um par de placas era entregue, naquele momento, no Barreiro, em BH.
A guarnição se dirigiu até o local e percebeu um indivíduo recebendo de um entregador um par de placas. Durante a abordagem, diversas placas foram apreendidas, além de um Fiat Cronos e uma picape Strada. O grupo utilizava da tática de usar placas clonadas diferentes para dificultar a identificação.
Ao pesquisar as placas, algumas delas bateram com a de veículos utilizados para cometer os crimes no bairro Novo Guarujá, em Betim.
No total, quatro homens, com idades entre 26 e 29 anos, foram presos e encaminhados para a Polícia Civil, onde a ocorrência foi encerrada.