
Uma campanha solidária está mobilizando moradores e devotos para ajudar na finalização da Capela de Nossa Senhora do Rosário, que está em construção no bairro Colônia Santa Isabel, na região do Citrolândia, em Betim. A iniciativa busca arrecadar recursos para finalizar a obra, que é uma demanda antiga da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário de Santa Isabel, formada por famílias de congadeiros da região.
Criada em 2010, a irmandade nasceu após a reunião de famílias que mantêm viva a tradição do Congado na região e em comunidades próximas. Segundo os organizadores, o movimento ganhou força após a realização de uma Missa Conga naquele mesmo ano, que despertou entre os participantes a necessidade de fortalecer e professar a fé na própria comunidade local. “Foi naquela ocasião que os congadeiros decidiram reativar a tradição religiosa”, explica o historiador André Bueno, integrante da irmandade.
Dois anos depois, em 2012, foi realizada a primeira Festa do Rosário da Colônia Santa Isabel, que passou a integrar o calendário cultural e religioso da comunidade. “Esse tipo de capela é muito popular. Tem 16 anos que estamos batalhando para começar a obra e buscar recursos para esse projeto tão importante para a nossa comunidade”, afirma Bueno.
A construção está sendo realizada em um terreno localizado na própria Colônia Santa Isabel, em um espaço onde anteriormente funcionava uma antiga lavanderia da comunidade. A estrutura da capela já começou a tomar forma. “Já estamos com as paredes erguidas e agora vamos iniciar a instalação do teto e os acabamentos do prédio”, explica o historiador.
O projeto prevê uma capela de 48 metros quadrados, com cerca de 6 metros de frente e 8 metros de comprimento. Apesar de ser uma construção nova, a proposta é preservar características arquitetônicas tradicionais. “A capela será nova, mas com traços e aspectos antigos. Isso reflete a transmissão do Congado, cujas irmandades são praticamente as mesmas há cerca de 300 anos”, destaca.
Segundo André Bueno, o fortalecimento da tradição do Congado na Colônia Santa Isabel também representa um processo de resgate cultural. Durante décadas, muitos praticantes evitaram manifestar publicamente a fé por medo de preconceito. “Por conta do ambiente conservador da colônia, muitos congadeiros não praticavam a sua fé por medo do preconceito. É importante lembrar que o Congado foi proibido entre as décadas de 1920 e 1960, e a nossa colônia foi erguida justamente na década de 1930”, explica.
Bueno ainda lembra uma conquista recente importante: “O Reinado de Nossa Senhora do Rosário da Colônia Santa Isabel também é patrimônio cultural. Esse registro aconteceu em 2021, quando a tradição foi reconhecida justamente pela importância histórica e cultural da festa realizada aqui na Colônia", comenta.
Parte da verba para a obra foi obtida por meio do acordo de reparação firmado entre a mineradora Vale e as comunidades, após a tragédia de Brumadinho, que impactou severamente o Rio Paraopeba — curso d’água que passa pela região da Colônia Santa Isabel.
A irmandade recebeu R$ 40 mil, valor que também será utilizado na construção do altar, que será produzido por artesãos do próprio bairro. Mesmo com essa verba, ainda será necessário arrecadar pelo menos mais R$ 40 mil para concluir toda a obra. “A nossa intenção é finalizar a construção até a última semana de abril para inaugurar a nova capela na Festa da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, que acontece no primeiro domingo de maio”, afirma Bueno.
Para viabilizar a conclusão da obra, os integrantes da irmandade iniciaram uma vaquinha solidária, convidando moradores, devotos e apoiadores da cultura do Congado a contribuírem. As doações podem ser feitas via Pix, utilizando a chave: (31) 98443-8615, em nome de Margareth Bueno.
“Estamos mobilizando amigos e devotos para que possamos, com a graça de Deus, inaugurar a capela na Festa do Rosário. Toda ajuda é muito importante para que possamos concluir a capelinha do Congado”, reforça a campanha.