
Uma visita diferente levou momentos de carinho e descontração a pacientes em tratamento contra o câncer no Hospital Regional de Betim. Na quinta-feira (29 de outubro), cães da Guarda Municipal participaram de uma ação piloto de humanização promovida pelo curso de Medicina Veterinária da PUC Minas. A atividade contemplou aproximadamente 20 pacientes e seis acompanhantes do setor de Oncologia e poderá se transformar em um projeto permanente.
A iniciativa surgiu de uma parceria entre professores e estudantes de Medicina Veterinária e Psicologia da universidade, profissionais do hospital e a Guarda Municipal. Segundo a professora Viviana Xavier, responsável pelas disciplinas de Semiologia Veterinária, Diagnóstico por imagem e Práticas Integradoras, a proposta foi oferecer uma pausa na rotina de quem enfrenta um tratamento prolongado e emocionalmente desgastante. A presença dos animais também proporcionou momentos de interação com os profissionais de saúde.
Por envolver pacientes oncológicos, muitos deles com a imunidade comprometida, a visita exigiu uma série de cuidados. Os cães passaram por avaliação veterinária, verificação de vacinas e vermifugação, além de procedimentos de higiene. A equipe do hospital autorizou a atividade e definiu quais pacientes poderiam participar, respeitando as condições clínicas de cada um.
Durante a visita, os animais permaneceram acompanhados por seus condutores, enquanto estudantes de Medicina Veterinária e Psicologia participaram das interações. Também foram adotadas medidas de biossegurança, como a higienização das mãos antes e depois do contato com os cães. O Rotaract contribuiu com a doação de livros, jogos e palavras cruzadas para os pacientes.
Para Viviana, a experiência mostrou que é possível promover a interação entre pessoas e animais mesmo em ambientes hospitalares de alta complexidade, desde que sejam respeitados os cuidados necessários. A professora destaca que estudos científicos apontam benefícios potenciais dessas atividades, como melhora do humor e redução do estresse e da ansiedade, embora os efeitos específicos da ação em Betim ainda não tenham sido medidos.
A receptividade à ação piloto levou a equipe a planejar novas etapas. há previsão de uma atividade semelhante em Belo Horizonte, e a universidade pretende transformar a iniciativa em um projeto contínuo A equipe também pretende avaliar os resultados das ações para pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
Segundo a educadora, a universidade está aberta a parcerias com hospitais, clínicas e outras instituições de Betim interessadas em receber o projeto. Para Viviana, além de beneficiar a comunidade, a iniciativa contribui para a formação dos estudantes. "Queremos formar profissionais que reconheçam a importância do acolhimento, da empatia e do olhar atento às necessidades do outro", afirma.